Arquivo para Setembro, 2008

Leitura 37

Nome do autor: Martins, V.

Título do livro: Sê feliz e vai à merda

Data de edição: 2002

Sinopse: Será que aos 20 anos “pensamos quando devemos sentir e sentimos quando devemos pensar”? Sê Feliz e Vai à Merda retrata, de uma forma simples e perspicaz, a instabilidade dos sentimentos, emoções e humores tão característica desta fase da vida. Eva, uma jovem jornalista, apaixona- -se por Daniel e vive um amor curto mas de grande intensidade. É através de cartas, dirigidas mas não enviadas a Daniel, que a protagonista exprime o que sente. Para Eva a escrita é uma terapia ou uma técnica para alimentar o passado? Um livro imperdível para todas as adolescentes apaixonadas.

Classificação: 1 (mau)

Opinião pessoal: Sem querer susceptibilizar, considero-o um livro infantil, onde a personagem principal só pode assumir uma de duas formas: ou 1) trata-se de uma adolescente independente, uma vez que é referida a profissão de jornalismo e a existência de casa própria, ou 2) trata-se de uma mulher que vive no mundo púbere, logo, num mundo imaturo, onde as emoções são vividas à flor da pele como felicidade suprema ou desmesurado sofrimento.

Ao nível do conteúdo, descreve a história transversal da humanidade: a menção a relações mal sucedidas, a leve depressão a espreitar a cada momento, o amor versus o ódio, o desespero de amar e a sua incapacidade de estar só. Em suma, é uma narrativa consideravelmente fraca, mas ainda assim louvável para primeiro romance de Vera Martins, na altura com vinte e dois anos, já que a primeira obra muito raramente se revela esplêndida, pela simples razão de se tratar, antes de mais, de um ensaio, de uma tentativa de exploração d@ autor@.

Há, ao longo do livro, uma certa concentração na suspensão histórica, uma aborrecida insistência no sentimentalismo e no saudosismo, sendo que a autora, por fim, como resolução prática do livro, peca por um crescimento prematuro da personagem principal.

Escrito por philobiblon

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Leitura 36

Nome do autor: Antunes, R.

Título do livro: Onde está o branco em ti?

Data de edição: 2004

Sinopse: “Somos todos iguais. Buscamos as mesmas coisas. É incrível como tantas vezes nos camuflamos debaixo duma capa que não deixa que ninguém nos veja realmente.

Procuramos as estrelas mas não vemos o céu. Queremos conhecer o Universo mas nem nos conhecemos a nós próprios.

Estamos debaixo da terra, num buraco bem fundo e não vemos nada. As coisas não fazem sentido e então tentamos descrever o que nos vai na alma. Mas, apesar disso, não saímos da roda das coisas fúteis em que estamos metidos.

Será assim tão difícil fugir a isto tudo? Encontrar a nossa verdadeira natureza?

A tua alma terá tanta sede dessa água viva que és capaz de deixar tudo para trás e partir em busca dessa fonte da vida eterna?

Onde está o branco em ti?”

Classificação: 2 (dispensável)

Opinião pessoal: Numa perspectiva talvez mais ensaísta, este livro retrata uma geração de sonho que falha nos seus principais propósitos: a ânsia de uma transformação mundial, o intento de uma mudança de mentalidade humana.

O recurso a autores como Nietzsche, Kant, Sócrates e Platão, embora escasso, serve de coloração para as vicissitudes da vida aqui descritas: nesta história verificamos a desolação, a desesperança e o vazio e as implicações de cada um destes aspectos. É um livro que questiona o leitor, essencialmente jovem, talvez devido à empatia sentida pelas próprias personagens, também elas adolescentes.

Não foi um livro que me tenha particularmente interessado. É uma narrativa ligeiramente descontínua e excêntrica, cujo protagonismo é dado a uma única personagem, aparentemente desinteressada de projectos de vida a longo prazo. Peca pelo excessivo idealismo, pelo moralismo, pelo facilitismo e pela ilusão que nos dá de que o mundo é fútil, mas que todos nós temos a capacidade de estarmos além do tangível, se assim o desejarmos. Cria uma falsa esperança de melhoramento, muito embora acredite que possa transformar formas de pensamento humano, principalmente nos mais novos, que são rebeldes, insistentes e criativos.

Como erro fulcral destaco a presença (constante) de erros ortográficos, imperdoáveis na língua portuguesa e inadmissíveis num livro publicado.

Escrito por philobiblon

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