Nome do autor: Peixoto, L. J.
Título do livro: Cal
Data de edição: 2007
Sinopse: “As mãos de Ana eram velhas. Os dedos eram grossos e tinham riscos feitos pela lâmina da navalha de retalhar azeitonas. As palmas das mãos eram grossas e tinham o toque da superfície serrada de um tronco. As mãos do velho Durico eram magras e escuras. As costas das mãos, quando as estendia debaixo de um candeeiro de petróleo, eram suaves. As unhas eram certas por serem cortadas com uma navalha, à noite, quando a fogueira lhe iluminava o rosto. As palmas das mãos cheiravam a terra castanha e a fumo. As mãos de Ana passaram a corda para as mãos do velho Durico.”
Classificação: 4 (muito bom)
Opinião pessoal: Nas obras de José Luís Peixoto predomina, como característica inalterável, a remota paisagem Alentejana, e esta, por sua vez, simboliza uma imensa solidão, numa constante dicotomia: a beleza e a atrocidade, o vazio e a completude, o esquecimento e a memória, a vida e a morte de (múltiplas) vidas.
Composto por estórias emaranhadas que, às tantas, até nos dão a ilusão de uma complementaridade, Cal tem a particularidade de uma individualidade que nos envolve e, simultaneamente, nos angustia.
Escrito por philobiblon