Leitura 29

Nome do autor: Myrakami, H.

Título do livro: Kafka à beira-mar

Data de edição: 2006

Sinopse: Kafka à Beira-Mar narra as aventuras (e desventuras) de duas estranhas personagens, cujas vidas, correndo lado a lado ao longo do romance, acabarão por revelar-se repletas de enigmas e carregadas de mistério. São elas Kafka Tamura, que foge de casa aos 15 anos, perseguido pela sombra da negra profecia que um dia lhe foi lançada pelo pai, e de Nakata, um homem já idoso que nunca recupera de um estranho acidente de que foi vítima quando jovem, que tem dedicado boa parte da sua vida a uma causa: procurar gatos desaparecidos.

Neste romance os gatos conversam com pessoas, do céu cai peixe, um chulo faz-se acompanhar de uma prostituta que cita Hegel e uma floresta abriga soldados que não sabem o que é envelhecer desde os dias da Segunda Guerra Mundial. Assiste-se, ainda, a uma morte brutal, só que tanto a identidade da vítima como a do assassino permanecerão um mistério.

Classificação: 4 (muito bom)

Opinião pessoal: Para não cair em plágios e/ou em românticas redundâncias, classificaria este livro segundo a perspectiva do Independent (“viciante”) e do The Times (“hipnotizante”). Mas, da mesma forma que não posso omitir quão inebriante é a leitura deste livro, também não posso esconder quanto de verdadeiramente decepcionante ele contém.

Embora cada vez mais raro, um aspecto a referir foi a capacidade aliciante que este livro incutiu em mim desde o primeiro minuto. Afinal, tudo “corre bem” desde o começo, até pela própria e alternativa organização narrativa, mas termina-se com aquele sabor amargo de quem leu seiscentas páginas e ficou no vazio. E, em particular, a personagem a quem mais me vinculei (Nakata) é precisamente aquela que, posteriormente, mais me angustia. O livro, enfim, não faculta respostas de espécie alguma e provavelmente nem tem esse propósito; talvez intua somente a sugestão de mais dúvidas. Será essa a liberdade, o nosso (ou não) questionamento a dúvidas constantes?

Se a essência do livro era versar sobre a liberdade, não descortinei nele qualquer evidência; se o objectivo era incidir sobre o conflito edipiano, deixou muito a desejar (afinal foi um Complexo de Édipo fantasiado ou realizado? Ou será esta mera ilação adquirida consoante a nossa própria liberdade?); se o intuito era uma espécie de Mindfulness exagerou, porque ninguém é receptivo a novas experiências senão houver, como consequência, uma aprendizagem (o que aprendemos, afinal, com a vida de Kafka Tamura além daquilo que já sabemos de antemão?)

Em suma, domina em mim uma profunda incompreensão.

Escrito por philobiblon

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