Nome do autor: Kafka, F.
Título do livro: A metamorfose
Data de edição: 2003
Sinopse: “Quando Gregor Samsa despertou, certa manhã, de um sonho agitado viu que se transformara, durante o sono,numa espécie monstruosa de insecto.
Permaneceu de costas, as quais era duras como uma couraça, e, erguendo um pouco a cabeça, conseguiu ver a saliência do seu grande ventre castanho, dividido em nítidas ondulações. As cobertas escorregavam, irremediavelmente, do alto da curva, e as pernas de Gregor, lamentavelmente finas, comparadas ao seu tamanho primitivo, agitavam-se, impotentes, diante dos seus olhos.”
Classificação: 3 (bom)
Opinião pessoal: Em parte decepcionante, por tanta bajulação escrita sobre este livro. Em algumas opiniões lidas a respeito deste título, pressenti uma estranha obrigação, como se ler Kafka fosse forçosamente imperativo, forçosamente esplêndido. Não obstante, reconheço que é um livro que nos faz, em muitos aspectos, pela sua tão actual perspectiva, pensar em geral na condição humana e em particular na sua correspondente limitação. Como se fosse uma bola de neve em crescimento gradual, o equilíbrio homeostático familiar não existe, porque permanece com eles um empecilho: um insecto horrendo, empoeirado, peganhento.
Quase monocórdico, em parte devido aos cenários envolventes, assiste-se a uma misantropia contínua, a uma configuração nauseante, a uma dissolução e fusão gregária, a uma metamorfose da estratificação social: o sustentador passa a sustentado e vice-versa. Verifica-se uma ruptura na inércia familiar, que abarca três elementos, e, consequentemente, na inépcia de um quarto, anteriormente dinâmico e motivado: os pais de Gregor voltam a trabalhar, independentemente da sua já avançada idade, e Grete, com dezasseis anos, inicia-se (também) no mundo laboral. Gregor, por seu turno, repudiado e esquecido pela sua família, abandonado quase à sua sorte, só (interna e externamente) em si mesmo, vai sobrevivendo na sua incapacidade de ser fazer visível aos outros.
Escrito por philobiblon
Pablo Vilela disse,
2008 Março, 19 @ 3:29 pm
Essa é uma de minhas obras prediletas. Talvez hoje, nos tempos da ficção científica, a obra perca o impacto inicial que teve outrora, mas permanecem a análise social e o perfeito retrato do preconceito. O que me agrada também no Kafka é que ele não precisa de centenas de páginas para dar seu recado.
Abraço,
Pablo
http://cadeorevisor.wordpress.com
philobiblon disse,
2008 Março, 21 @ 12:03 am
Em primeiro lugar, quero agradecer a sua participação.
De facto, esperei mais deste livro, mas somente porque ouvi dele opiniões incontestáveis de perfeição.
Mas sim, é uma realidade: não representa para mim, apesar de reconhecer a sua actualidade, uma obra-prima.
Beijo* a si