Nome do autor: Christian Grondahl, J.
Título do livro: Silêncio em Outubro
Data de edição: 2000
Sinopse: “A Astrid na amurada, de costas para a cidade. O vento levanta-lhe o cabelo castanho como uma bandeira esfiapada. Está de óculos escuros e sorri. Há uma afinidade perfeita entre a cidade e o branco dos dentes dela nesta fotografia que tirei há sete anos, pela tarde, num dos pequenos cacilheiros do Tejo. Só à distância se percebe por que se chama ‘cidade branca’ a Lisboa, quando as cores se misturam em reflexos de sol: a luz baica incide horizontalmente nas casas ao longe, que se erguem atrás umas das outras sobre o Terreiro do Paço, nas colinas do Bairro Alto e de Alfama, no outro lado do rio. Há um mês que partiu. Ainda não tive notícias dela.”
Classificação: 2 (dispensável)
Opinião pessoal: Um livro fraco que apenas, de quando a quando, se nos entranha efectivamente na pele. E não sei precisar se esta opinião é devido à elevada expectativa sentida em mim mesma por optar por autor menos conhecido, se devido à capa fotográfica de Edward Hopper, da qual gosto imenso.
Numa perspectiva holística, um livro tendencialmente fundado por rábulas e frases feitas, onde predomina a delineação de uma crise existencial, que cessa sempre com o típico “disse que disse”. Terminámos o livro com a sensação que o próprio autor, às tantas, se perdeu em demasiadas expectativas e especulações. Enfim, um livro que, em minha perspectiva, não oferece ao leitor criação alguma digna de registo.
Um aspecto notavelmente favorável prende-se com o facto de descrever localidades de Portugal, ainda que sumariamente, nomeadamente de Trás-os-Montes, Porto, Aveiro, Coimbra e Lisboa. Fiquei efectiva e inicialmente surpresa por constatar que um dinamarquês viu em Portugal algum conteúdo paisagístico para divagar. Não obstante, até esse factor se revelou profusamente estratégico.
Escrito por philobiblon