Nome do autor: Hinton, S. E.
Título do livro: Os Marginais
Data de edição: 1990
Sinopse: “Quando saí da escuridão do cinema para a brilhante luz do sol só tinha duas coisas em mente: o Paul Newman e uma boleia para casa. Desejava ter a figura do Paul Newman – que tem um ar duro e eu não -, mas creio que o meu próprio aspecto não é assim tão mau. Tenho um cabelo castanho-claro, quase avermelhado, e olhos de um verde-acinzentado. Quem me dera que fossem mais cinzentos! Odeio quase todos os tipos de olhos verdes… mas é preciso contentar-me com os que tenho. Uso o cabelo muito mais comprido do que a maioria dos rapazes, aparado atrás, comprido à frente e aos lados, mas sou um seboso e na minha vizinhança são poucos os que se ralam com o corte do cabelo. Além disso… o cabelo comprido dá-me um aspecto melhor.”
Classificação: 3 (bom)
Opinião pessoal: Aprecio este livro por uma ou duas razões: em primeiro lugar, porque roça na trilogia comédia, tragédia e drama; em segundo, porque é bastante inteligente, numa perspectiva da própria coerência sequencial, para uma miúda de dezassete anos.
Hinton, sem falsos dramatismos, ao abordar o que a América há décadas tenta descaradamente esconder-nos, mostra o universo de uma criminalidade juvenil, dos anos 60, por vezes forçada (pela a ausência de progenitores ou figuras cuidadoras ou figuras de autoridade), por vezes de regozijo (há um qualquer orgulho ostensivo nos roubos, nas lutas, nas armas, na insensibilidade, na liberdade, etc.).
Simples, mas quase delicado, onde a inocência se desvanece desde o princípio, é um livro que não permite que o leitor se engane: tudo aquilo nunca vai mudar; não há escapatória possível, não há esperança alguma; tudo aquilo vai ser sempre mau, sempre sem finais felizes. É o que se verifica, principalmente, com as personagens Johnny, Bob e Dally.
Se tivermos em conta o ano de lançamento (1967), rapidamente nos apercebemos que se trata de uma leitura nova, fresca, um pouco nua, um pouco crua, um pouco falsa. Tudo o que é descrito neste pequeno livro poderia estar submerso na metáfora kunderiana de kitsch: os contrastes são como que manipulados pela “sociedade” dita social e pela “sociedade” dita criminosa, cuja total inaceitabilidade se esconde entre uma e outra fenda de ambas as classes. A salvação nesta metáfora parece, assim, estar claramente patente nas personagens Ponyboy, Darry e Randy. Por fim, Cherry, atrevo-me a dizer, será a postura na qual a autora mais se identifica, como personagem mediadora destes dois mundos extremos. Ou seja, assume um olhar neutro, ainda que crítico, sobre esta problemática essencialmente socio-económica. O próprio título, Os Marginais, é revelador dessa mesma postura: não são os Socs os marginais, nem tão pouco o são os Sebosos. Ambos constituem parte da culpa, onde não há espaço para desculpabilizações.
Conciso, sem muitas delongas, vai ao cerne das questões sem nunca perder de vista a insuflação pela mudança de mentalidades.
Escrito por philobiblon