Arquivo para Setembro, 2007

Leitura 17

Nome do autor: Lawrence, H. D.

Título do livro: A virgem e o Cigano

Data de edição: 1988

Sinopse: Estamos no Centro de Inglaterra nos anos vinte e Yvette e Lucille (com dezanove e vinte anos, respectivamente, “criaturas jovens e altas, com rostos frescos e sensíveis, cabelos cortados curtos, maneiras varonis e despreocupadas”) acabaram de regressar do seu último ano de estudos. O seu lar é agora a casa paroquial onde o pai, pároco de Papplewick, uma tia solteirona e uma avó exigente lhes recordam que devem pôr-se em guarda contra o mesmo mau sangue que fez com que a mãe fosse procurar a felicidade para outro lado, fugindo “com um homem ainda jovem e sem um tostão no bolso”. Aquela vida um pouco repressiva é sufocante para Yvette, que procura os seus próprios amigos. Entre eles encontra-se um casal, amantizado rico e sofisticado, repelido pela sociedade por “estarem a viver em pecado”. E surge também o cigano, selvagem, livre e sensual. Será ele quem irá libertar Yvette, com o seu corpo e com o seu acordar para a vida…

Neste drama de uma adolescente que se revolta contra a educação rígida e cheia de preconceitos que recebeu, D. H. Lawrence, segundo o The New York Times, “coloca o sexo no centro da vida; sem sexo, não existira vida… A Virgem e o Cigano (1930) é chocantemente original; em vão rebuscaremos entre os romances, à procura de um semelhante a este”.

Classificação: 2 (dispensável)

Opinião pessoal: Ainda que presentes os condimentos necessários para constituir uma obra imprescindível, o que se verifica na realidade é que esta passa completamente despercebida, sem qualquer notoriedade. Talvez o que falte a esta obra, num primeiro momento, é um limar de arestas, uma vez que a obra não foi sofreu qualquer alteração posterior, devido ao (possível) falecimento do seu autor. Fica, no entanto, uma crítica persistente a uma educação rígida, e muitas vezes hipócrita, do século XX.

Do livro talvez seja importante frisar o papel de destaque que é dado à Mater, visto que se mostra, alternadamente, egoísta e invejosa, sensível e condescendente. Como pilar fundamental desta casa, revela ser o ponto centrífugo dos problemas familiares, cujo desequilíbrio é por deveras evidente: há um disputar constante de lugares de destaque dentro de um espaço exíguo, que é o coração do dono da casa, cujos conflitos geracionais internos são quase sempre camuflados por uma ténue mancha de ironia. Mas a Mater não é a única pessoa encolerizada na família: há ainda a tia Cissi completamente descompensada a um nível emocional, uma vez que abdicou do seu Eu pessoal em prol dos cuidados extremos prestados à sua mãe. Há aqui, também, uma falsa postura, um falso cuidado, uma pseudo bajulação, que é, assim, muitas vezes remunerada em chocolates.

Enfim, fica um quê de qualquer-coisa-que-ficou-por-acrescentar.

Escrito por philobiblon

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Leitura 16

Nome do autor: Bach, R.

Título do livro: Ilusões

Data de edição: 1992

Sinopse: “Foi uma pergunta que ouvi mais do que uma vez, depois da publicação de Fernão Capelo Gaivota.

- E agora o que é que vais escrever, Richard? A seguir ao Fernão, o quê?

Na altura, respondi-lhes que não tinha de escrever mais nada, nem mais uma palavra, e que todos os meus livros diziam tudo o que eu lhes tinha pedido para dizer. Depois de ter passado privações durante algum tempo, de ter recuperado o carro e outras coisas do género, era divertido não ter de trabalhar até à meia-noite.

Mesmo assim, quase todos os Verões levava o meu biplano antigo para ao mares dos verdes prados de Midwest da América, fazia voos de passageiros por três dólares e comecei a sentir de novo a conhecida tensão – ainda tinha qualquer coisa a dizer e não dissera.

Não gosto nada de escrever. Quando consigo virar as costas a uma ideia, deixá-la lá fora no escuro, quando consigo evitar abrir-lhe a porta, nem sequer pego num lápis.”

Classificação: 2 (dispensável)

Opinião pessoal: Ao julgar tratar-se de um livro memorável, rapidamente percebi que me enganara. E o título, a esse respeito, não engana mesmo, pois não é na realidade literária mais do que uma sucessão de Ilusões.

Ontem decidira ler finalmente um livro qualquer do tão aclamado Richard Bach, até porque é uma moda que nunca percebi bem a sua razão de ser. Além disso, tive a nítida sensação que as temáticas, aos meus olhos claramente espirituais, seriam desmesuradamente entediantes. Mas também a esse respeito o livro se explica bem: o que para mim é entediante pode não o ser para outro. E já nem se trata da máxima “Gostos não se discutem”, pois não realidade ultrapassa isso mesmo: é com a diferença que o mundo flui em equilíbrio.

Não obstante, não se trata sequer de um mau livro. A verdade é que se lê na deslumbrada ferocidade dos minutos, como algodão doce na boca, mas infelizmente não traz nada de novo a um mundo que por si só já não é original. Talvez, e talvez é de certo a palavra exacta, exponha uma perspectiva diferente do que vemos, ouvimos e sentimos com ligeiras nuances, nomes e mundos diferentes. E se não fosse tantas vezes a complexidade do diálogo, com frases e clichés muitas vezes rebuscados, diria que é um livro ideal para crianças. E mesmo com essa característica incerta, afirmo que pode, com alguma segurança, o ser.

Escrito por philobiblon

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Leitura 15

Nome do autor: Baldwin, F.

Título do livro: Despertar de uma alma

Data de edição: 1984

Sinopse: Juntamente com Tim e Debbie, Rose e Mark instituem uma família feliz, contrariamente a tantos casais que são do foro íntimo comum. Um casal realizado, cujo casamento perdura há mais de vinte anos. No entanto, um acidente de viação muda para sempre a vida destes quatro indivíduos, assim como os amigos e familiares mais próximos. Mas, não obstante, tudo indica que se trata apenas de uma fase e que a vida não é mais do que a sucessão de muitas outras fases seguintes.

Classificação: 2 (dispensável)

Opinião pessoal: Acima de tudo é superficialmente utópico. E, depois, aterradoramente morto. Fala, num mosaico disforme e triste, sobre perdas e (falsas) conquistas. Um livro rapidamente desanimador e descrente a parcas páginas do seu início. Ludibria o leitor com pensamentos fáceis, iludindo-o para falsas resoluções. Polida problemas quotidianos com alguma leviandade, como é exemplo o episódio em que Tim chega a casa completamente alcoolizado. Faz avanços abruptos no tempo com o intuito de acelerar, por si só, o processo de despacho. Toma o conceito de flexibilidade como arma subtil na mudança da personagem dita principal, quando no fundo a personagem principal trata-se de um morto.

Uma tradução nem sempre bem conseguida, com trechos contínuos de alguma incompreensão. Por outro lado, o enredo demora-se, intemporalmente, no título do livro. Não há mais nem novas paixões, nem novas mortes, nem novas desilusões. Apenas a cegueira delirante de novas aquisições que, no entanto, não passam de meras distracções. A vida é mesmo assim: pesada!

Escrito por philobiblon

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Leitura 14

Nome do autor: Segal, E.

Título do livro: Apenas Amor

Data de edição: 1998

Sinopse: Pelo autor de Love Story, lendário bestseller adaptado ao cinema e recordado por milhões de leitores e espectadores, este poderoso romance é um inesquecível testemunho do poder da esperança e do amor.

Classificação: 3 (bom)

Opinião pessoal: Lido quase de um só trago, é um livro que delicia os olhos mais negros e que nos incita a uma tolerância ao amor. É um livro sobejamente conquistado, quer pelo conteúdo de raiz quer pelos desenvolvimentos temporais que, no decorrer das páginas sempre tive a impressão de bem conduzidos, mas que não é de todo, infelizmente, um livro marcante, um livro de vida.

Discursa essencialmente sobre o Amor. Mas não só. Aborda, ainda que subtilmente, sobre a amizade profunda capaz de unir dois corpos físicos, sobre a cobiça amorosa, sobre a distância corpórea, emocional e temporal, sobre uma sensibilidade média que temos já a percepção que não existe, sobre o altruísmo idílico, sobre a coragem dos homens em geral, sobre a esperança da vida e da cura e sobre o medo do esquecimento e da morte. Mas não só. Explana a Arte, na sua nota musical mais elevada: declara a tristeza patente do violoncelo, a paixão desenfreada do piano e o amor fatal e proibido da ópera. Esta última parte, a Arte, é um verdadeiro deleite para os menos esclarecidos.

Morfológica e sintacticamente bem escrito e de fácil compreensão na absorção dos valores, revela ser uma boa opção para leitura sazonal, quando os nossos corações estão incendiados pela paixão e pelo calor. Pelo Amor e pela tristeza. Pelo mortal e pelo eterno.

Escrito por philobiblon

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Leitura 13

Nome do autor: Pinto, R. M.

Título do livro: As crónicas da Margarida

Data de edição: 2000

Sinopse: Do humor desconcertante e certeiro às confissões intimistas, cuja sinceridade comove e nos faz viajar pelas palavras, este livro reúne uma selecção de crónicas escolhidas pela autora dos Best-sellers “Sei lá” e “Não há coincidências”. Um relato tocante de uma forma única de ver o mundo, para saborear, linha a linha.

Classificação: 1 (mau)

Opinião pessoal: Em minha opinião, esta é provavelmente a pior crítica que me foi dada a escrever. Que eu já não gostava de Margarida Rebelo Pinto era um facto, mas também era certo que não tinha lido muitas obras dela. E como devemos falar sempre com razões de causa, principalmente se estas forem recentes, reuni coragem e força num só pacote e decidi folhear as crónicas que compõem este livro.

Só posso dizer que a primeira parte, de crónicas compreendidas entre 1993 e 1995, são quase todas absolutamente intragáveis. E eu nem vou falar sequer da pontuação frequentemente mal posicionada (como vírgulas depois dos pronomes e antes dos verbos de uma mesma frase), vocabulário impróprio (bicha em vez de fila), metáforas um pouco gastas para assuntos já tão grandemente debatidos, assim como alguns erros ortográficos que, por cortesia, vou assumir como falhas de teclado (“colestrol”, “ás”, “fácies”, “vai-te trazer”…). As coisas melhoram na segunda parte, mas também não tanto assim.

Desta forma, só posso classificar a escrita desta autora como mesquinha, presunçosa, desinteressante e preconceituosa (Kens e Barbies e Artigo 1022, linhas 11-13), superficial e frívola (O admirável mundo da moda); perifrástica, redundante e banal (Alquimia do amor I e II); compredomínio desmesurado ao lirismo do absurdo, com a referência a Príncipes Encantados de quem já ninguém acredita, a conselhos fáceis e desnecessários (Amores impossíveis e Amores quase possíveis); enjoativamente repetitiva (Corações ao alto, Novos pobres e Plebe rústica exaltada); existência de contradições (Amores impossíveis versus Dias D) e O calor dilata os corpo, Desígnios do destino e Eu é mais bolos, como sem classificação possível tamanho o despropósito. Talvez o lautos, e passo aqui a expressão hiperbólica, deste livro são: Corações ao alto, Dias D, Finais mais ou menos felizes, Não gosto, Os brigadeiros da minha mãe, Querida amiga, Ser mãe, Alma de pássaro, Às vezes, Espera e Gosto.

Em conclusão, só me é possível dizer que é um livro terrivelmente mau, com duas variantes possíveis: ou para nomear, erroneamente, Margarida Rebelo Pinto como um ícone da literatura portuguesa ou para, definitivamente, constatar que é uma péssima autora.

Escrito por philobiblon

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Leitura 12

Nome do autor: Alves, L.

Título do livro: Xis ideias para pensar

Data de edição: 2000

Sinopse: “A Laurinda é, na verdade, uma mulher com vocação para luminária. Quero dizer: a sua escrita, solar por natureza, tem esse alegre poder de iluminar as sombras. Por isso esta recolha de textos poderia chamar-se também o Livro do Optimismo. Guarde-o para os dias cinzentos, leia-o nas fases da dúvida. Abra-o, como quem descerra uma janela, e deixe o sol entrar.” José Eduardo Agualua

Classificação: 1 (mau)

Opinião pessoal: Pontuar este livro com uma classificação superior a um seria uma tarefa ingrata, uma vez que tal implicaria que muitos e efectivos bons livros ficassem à margem de melhores ou piores classificações.

Que ninguém espere um romance, um policial ou outra qualquer história de alto gabarito, pois não traz, pelo menos para mim, absolutamente nada de novo. É um livro simples e lúcido, numa linha suplementar de crónicas, que prima pela escrita concisa, clara e pouco repetitiva, contrariamente à tantas vezes absurdamente fantasiadas de Margarida Rebelo Pinto. Por outro lado, Laurinda Alves contrapõe a um discurso fácil e ocioso, tão particular na escrita da já outra autora referida. Isto porque aborda não objectos fáceis e ocos, mas esboços temáticos de Psicologia (com conceitos como comunicação, dependência, culpa, questões sistémicas, construtivismo – o todo é mais do que a soma das partes -, inconformismo versus conformismo, resiliência, empatia, QI, QE e QEspiritual), de Psicodrama (com concepções como técnicas psicodramáticas como Espelho, Inversão de papéis e Solilóquio), de Neurociências, entre outros.

Enfim, um livro que fala de conceitos psicológicos sem esmiuçar a Ciência Psicológica. A autoria não tem essa presunção, pois sabe que tal só diz respeito aos técnicos especializados dessa área. Um livro curto que se lê no espaço de três horas, de senso comum com relativo interesse geral, principalmente aqueles que não sabem nem fazem ideia do quão maravilhosa e apoiante pode ser a Psicologia aos homens de hoje. Em suma: para os adolescentes ou para os mais maduros. Para os crentes e para os mais cépticos.

Escrito por philobiblon

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