Nome do autor: Lawrence, H. D.
Título do livro: A virgem e o Cigano
Data de edição: 1988
Sinopse: Estamos no Centro de Inglaterra nos anos vinte e Yvette e Lucille (com dezanove e vinte anos, respectivamente, “criaturas jovens e altas, com rostos frescos e sensíveis, cabelos cortados curtos, maneiras varonis e despreocupadas”) acabaram de regressar do seu último ano de estudos. O seu lar é agora a casa paroquial onde o pai, pároco de Papplewick, uma tia solteirona e uma avó exigente lhes recordam que devem pôr-se em guarda contra o mesmo mau sangue que fez com que a mãe fosse procurar a felicidade para outro lado, fugindo “com um homem ainda jovem e sem um tostão no bolso”. Aquela vida um pouco repressiva é sufocante para Yvette, que procura os seus próprios amigos. Entre eles encontra-se um casal, amantizado rico e sofisticado, repelido pela sociedade por “estarem a viver em pecado”. E surge também o cigano, selvagem, livre e sensual. Será ele quem irá libertar Yvette, com o seu corpo e com o seu acordar para a vida…
Neste drama de uma adolescente que se revolta contra a educação rígida e cheia de preconceitos que recebeu, D. H. Lawrence, segundo o The New York Times, “coloca o sexo no centro da vida; sem sexo, não existira vida… A Virgem e o Cigano (1930) é chocantemente original; em vão rebuscaremos entre os romances, à procura de um semelhante a este”.
Classificação: 2 (dispensável)
Opinião pessoal: Ainda que presentes os condimentos necessários para constituir uma obra imprescindível, o que se verifica na realidade é que esta passa completamente despercebida, sem qualquer notoriedade. Talvez o que falte a esta obra, num primeiro momento, é um limar de arestas, uma vez que a obra não foi sofreu qualquer alteração posterior, devido ao (possível) falecimento do seu autor. Fica, no entanto, uma crítica persistente a uma educação rígida, e muitas vezes hipócrita, do século XX.
Do livro talvez seja importante frisar o papel de destaque que é dado à Mater, visto que se mostra, alternadamente, egoísta e invejosa, sensível e condescendente. Como pilar fundamental desta casa, revela ser o ponto centrífugo dos problemas familiares, cujo desequilíbrio é por deveras evidente: há um disputar constante de lugares de destaque dentro de um espaço exíguo, que é o coração do dono da casa, cujos conflitos geracionais internos são quase sempre camuflados por uma ténue mancha de ironia. Mas a Mater não é a única pessoa encolerizada na família: há ainda a tia Cissi completamente descompensada a um nível emocional, uma vez que abdicou do seu Eu pessoal em prol dos cuidados extremos prestados à sua mãe. Há aqui, também, uma falsa postura, um falso cuidado, uma pseudo bajulação, que é, assim, muitas vezes remunerada em chocolates.
Enfim, fica um quê de qualquer-coisa-que-ficou-por-acrescentar.
Escrito por philobiblon