Nome do autor: Paul Hoffman
Título do livro: O Homem que só gostava de Números
Data de edição: Março de 2000 (Gradiva)
Sinopse: Paul Erdös foi um matemático húngaro a quem chamaram o Euler contemporâneo. Um dos maiores matemáticos de sempre, foi também um incansável divulgador desta ciência.
Nunca amealhou riqueza, distribuiu sempre os prémios que ganhou, viveu para a ciência e para os outros. Abnegado, gostava de colocar o seu enorme saber e a sua extrema inteligência ao serviço de todos os que o procuravam. Conta-se, por exemplo, que ficou zangado quando soube da demonstração de Andrew Wiles do último teorema de Fermat, que ocupou os matemáticos durante mais de 300 anos, porque ter-se-ia ganho muito tempo se Wiles tivesse querido partilhar os seus estudos com a comunidade de matemáticos de todo o mundo. Paul Erdös era um sábio, por isso era de uma humildade extrema. Nada tinha de seu. Era proverbial a sua imagem, sempre ocupado com os seus próprios pensamentos, permanentemente acompanhado de duas velhas malas de cartão cheias sabe Deus com quê, com as quais percorria o mundo a dar conferências, a “abrir as mentes” de todos os ouvintes.
Ficaram para sempre alguns dos termos que utilizava com frequência:
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Épilons, eram as crianças que ele adorava;
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SF, o Supremo Fascista, era o nome que dava a Deus, porque admitia que Ele sabia todas as belas demonstrações que a nós nos escapam e que Ele não desvenda porque as pretende guardar só para si;
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Escravos, eram todos os seres do sexo masculino (Paul nunca se casou…);
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Boss, eram as mulheres;
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Pregar, para significar fazer uma palestra;
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A sua definição de matemático: “Um matemático é uma máquina que transforma café em teoremas”;
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Finalmente, o epitáfio que escreveu para si mesmo: “Végre nem butulok tovább”, que significa: “Finalmente estou a deixar de ficar estúpido”.
Classificação: 4 (muito bom)
Opinião pessoal: Este livro, que conta um pouco da história deste Homem magnífico e deste matemático insigne, é também uma história resumida das enormes descobertas no campo da ciência matemática.
Nele se contam episódios caricatos da vida de Paul Erdös e de outros matemáticos do seu tempo e seus amigos, mas também as grandes descobertas por ele efectuadas, os seus teoremas, a sua contribuição em vários domínios, nomeadamente, na teoria dos números, na teoria dos grafos, na análise combinatória.
São de enorme importância as suas descobertas e demonstrações no campo dos números primos, a que ele dedicou a vida inteira. Em homenagem a este grande matemático, a comunidade cientìfica inventou o chamado número de Erdös. Trata-se de um número que representa o grau de ligação de cada matemático a Paul, no que respeita à colaboração que tiveram com ele. Assim, os que trabalharam directamente com Erdös têm o número 1; os que trabalharam directamente com estes têm o número 2 e assim sucessivamente.
Muitos dos número 1 são húngaros, como ele. Alguém um dia lhe perguntou porque há tantos insignes matemáticos na Hungria.
- Simples, disse Paul, desde muito novos os estudantes húngaros têm acesso a publicações de matemática e são permanentemente incentivados nas escolas a lerem-nas, nomeadamente, a revista Kömal destinada aos jovens…
Simples, direi eu, a forma de ajudar a resolver o gravíssimo problema do ensino da matemática no nosso país…
Este livro é destinado a todos: àqueles que gostam de matemática, porque nele encontram certamente descobertas maravilhosas; e àqueles que pensam que não gostam, apenas porque ainda não “abriram a mente” para a fantástica descoberta da abstracção matemática.
Escrito por J.
philobiblon disse,
2007 Agosto, 28 @ 10:43 am
Só expões livros: 1) ou que nunca ouvi falar e/ou 2) que para mim seriam daqueles cujo rosto viraria ao perceber do que falam. Mas, ironicamente, pelas tuas críticas, nasce um bichinho que me impulsiona, pelo menos, a tentar lê-los. E, quem sabe, até mesmo a adorá-los.
Este é mais um da lista de empréstimos =)
Beijo*