Arquivo para Julho, 2007

Palavras…

Finalmente, vou iniciar alguns comentários neste sítio.
Como se se tratasse de um programa de vida, que desta forma pouco usual se servisse, começo por aqui:

Uma palavra vem – dos signos brota
apercebida vida, abrupto senso,
o sol detém-se, esferas são silentes,
e tudo se concentra à sua volta.

Uma palavra – brilho, voo, fogo,
língua de chama, estrela cadente
- e a treva monstruosa que regressa
no vácuo espaço entre mim e o mundo.

Gottfried Benn

Escrito por J.

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Leitura 1

Nome do autor: Maurensig, P.

Título do livro: O jogo de morte: a variante de Lüneburg

Data de edição: 1993

Sinopse: “No horizonte geométrico de um tabuleiro de xadrez, em cada intercepção de uma linha de luz com uma linha de sombra, no movimento lento, preciso, reflectivo de cada lance enigmático, a ténue fronteira entre a lucidez e o delírio vertiginoso dilui-se, ameaça afundar-se num ocaso irreversível. O duelo entre as peças brancas e as peças negras é ancestral e inconsciente e assume as proporções cósmicas, quase metafísicas, de uma luta entre o bem e o mal, a vida e a morte. Tabori, um judeu genial e perseguido e Dieter Frisch, ariano e oficial nazi, dois mestres do jogo, dois homens rendidos ao sortilégio do xadrez, que o mesmo ódio inexaurível faz mover, são os protagonistas de um confronto mortal que, lance após lance, se aproxima do xeque-mate ao rei, que é também um xeque-mate à vida. Um romance negro, entre o thriller e o policial, excelente, lúcido, concebido com uma raríssima mestria capaz de concertar uma trama complexa com o estilo nítido, subtilmente musical.”

Classificação: 4 (muito bom)

Opinião pessoal: Escrito a três vozes, anuncia-se, desde o seu início, como um livro misterioso e desconcertante.

Retrata essencialmente toda uma turvação em torno de jogos de Xadrez, que é, aliás, conteúdo e forma deste livro, e que faz de um profundo céptico (como eu) um autêntico curioso deste. Só por isso, vale a pena ler.

É um livro cuidado e muito bem escrito, emaranhado numa sucessão de acontecimentos igualmente inesperados, sempre preso a um fio condutor fidedigno e real, sem cair num redutor pântano excessivamente elitista.

Aborda o vício e a paixão, o desespero de estar só e a angústia de se ser vítima da Segunda Guerra Mundial, o peso de ter a vida dos outros na nossa mão, o peso da responsabilidade, o preço da nulidade da vida humana e os sentimentos de compaixão, de egoísmo e de culpa.

As interpretações inaugurais mas que, de uma forma ou de outra, acabam por ser as interpretações derradeiras, são todas aquelas que imaginarmos: o autor, a esse respeito, deixa espaço para a individualidade de cada um.

Escrito por philobiblon

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Communis opinio

Não é fácil conotar opiniões comuns sobre literatura, quando somos, intrinsecamente, pessoas muito diferentes. Como tal, o juízo individual será respeitado como um todo, sem críticas ou julgamentos.

Tudo o que se pretende que seja semelhante, de forma a facilitar uma leitura coerente entre os contribuidores deste espaço e os possíveis visitantes, é que sigam a seguinte tipologia:

  • Nome do autor (por exemplo: Saramago, J.)
  • Título do livro (por exemplo: Memorial do Convento)
  • Data de edição (por exemplo: 1982)
  • Sinopse presente na contracapa do livro (quando não presente, apresenta-se um resumo pessoal)
  • Classificação: 1 (mau), 2 (dispensável), 3 (bom), 4 (muito bom) e 5 (imprescindível). Esta classificação prender-se-á com a visão de quem o leu, no que concerne ao conteúdo, à qualidade da leitura/escrita, à criatividade, à importância temporal ou pessoal, ao significado simbólico, etc., etc. Enfim, dêem asas à vossa imaginação como critérios de avaliação.

Escrito por philobiblon

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Conceito e razão de existir

Segundo o Dicionário online da Porto Editora (www.infopedia.pt), e o Dicionário online da Priberam (www.priberam.pt), ambos consultados em Julho de 2007, nomeia o conceito de Bibliofilia, enquanto substantivo feminino, como o Amor aos Livros!

Este é um projecto que há já algum tempo preenchia o meu imaginário. No entanto, por razões que dizem essencialmente respeito a questões académicas, este mesmo projecto teve de permanecer, durante meses, no mais absoluto adormecer. Finalmente agora, com as férias, espero colocar em prática o que tinha em mente, que é, por um lado, servir como numa espécie de divulgação da leitura, numa troca de ideias, opiniões e sugestões, mas também, e particularmente, para servir de state of memory, como um arquivo pessoal, do quanto já lemos.

Infelizmente, não li tudo quanto desejava para a idade que tenho. Durante muito tempo por preguiça, actualmente por alguma falta de tempo (eu sei, esta é uma falsa desculpa); muitos livros ficaram pela metade, outros li com tamanha fugacidade que não consigo deixar de os ler repetidamente. Por isso, e também porque tantos outros acabei por lhes esquecer os títulos e os conteúdos, resolvi criar este blog, que começou inicialmente com a ideia de um fórum.

A todos que por cá chegarem, por uma ou outra razão, sejam bem vindos e aproveitem. Uma das pessoas que estará comigo nesta caminhada é das mais indicadas para dissertar sobre os mais tamanhos assuntos literários. Por isso, estou certa, será um projecto com futuro.

Escrito por philobiblon

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