Nome do autor: Maurensig, P.
Título do livro: O jogo de morte: a variante de Lüneburg
Data de edição: 1993
Sinopse: “No horizonte geométrico de um tabuleiro de xadrez, em cada intercepção de uma linha de luz com uma linha de sombra, no movimento lento, preciso, reflectivo de cada lance enigmático, a ténue fronteira entre a lucidez e o delírio vertiginoso dilui-se, ameaça afundar-se num ocaso irreversível. O duelo entre as peças brancas e as peças negras é ancestral e inconsciente e assume as proporções cósmicas, quase metafísicas, de uma luta entre o bem e o mal, a vida e a morte. Tabori, um judeu genial e perseguido e Dieter Frisch, ariano e oficial nazi, dois mestres do jogo, dois homens rendidos ao sortilégio do xadrez, que o mesmo ódio inexaurível faz mover, são os protagonistas de um confronto mortal que, lance após lance, se aproxima do xeque-mate ao rei, que é também um xeque-mate à vida. Um romance negro, entre o thriller e o policial, excelente, lúcido, concebido com uma raríssima mestria capaz de concertar uma trama complexa com o estilo nítido, subtilmente musical.”
Classificação: 4 (muito bom)
Opinião pessoal: Escrito a três vozes, anuncia-se, desde o seu início, como um livro misterioso e desconcertante.
Retrata essencialmente toda uma turvação em torno de jogos de Xadrez, que é, aliás, conteúdo e forma deste livro, e que faz de um profundo céptico (como eu) um autêntico curioso deste. Só por isso, vale a pena ler.
É um livro cuidado e muito bem escrito, emaranhado numa sucessão de acontecimentos igualmente inesperados, sempre preso a um fio condutor fidedigno e real, sem cair num redutor pântano excessivamente elitista.
Aborda o vício e a paixão, o desespero de estar só e a angústia de se ser vítima da Segunda Guerra Mundial, o peso de ter a vida dos outros na nossa mão, o peso da responsabilidade, o preço da nulidade da vida humana e os sentimentos de compaixão, de egoísmo e de culpa.
As interpretações inaugurais mas que, de uma forma ou de outra, acabam por ser as interpretações derradeiras, são todas aquelas que imaginarmos: o autor, a esse respeito, deixa espaço para a individualidade de cada um.
Escrito por philobiblon